Fragmentos Urbanos


 

Foto: Francisco França/PB

 

Entardecer é sempre mágico pra mim. Seja na orla de João Pessoa, no Centro Histórico ou do outro lado das pontes do Recife. O cheiro de fim de tarde me dar uma sensação de liberdade... cheirinho de beijo molhado, troca de salivas ao som das ondas do mar... Amanhã vou ouvir o que o mar tem pra me dizer... e vê se acalma o meu coração, que hoje pulsa agoniado diante de precipícios.

"esse verde que chega a doer das águas de Tambaú, se você me deixa eu me arretiro, não brigo contigo, bem longe irei chorar, morar, na Ponta do Seixa. (Ponta do Seixas, 1975, Cátia de França)

Obs: Essa foto foi tirada no dia 18 de março de 2003, quando a maré atingiu a maior onda do ano, cerca de 8 metros... Estava no cumprimento do meu dever, no calçadão de Manaíra. Apesar dos esgotos, lá também tem um entardecer lindo. beijus galera!



Escrito por hardman às 20h41 [   ] [ envie esta mensagem ]





Quero ficar nos arrecifes

             Cai-me a máscara nesse silêncio... Difícil para nós, pobres e arrogantes mortais, acreditar que tudo na vida é passageiro... cíclico e até redundante as vezes. Difícil mesmo encontrar um sentido na vida, na existência em dias como de hoje, em que o tédio é maior do que a vontade de sair do quarto. Quero não. Quero ficar como siri naqueles arrecifes, caminhando, passeando as patas nas superfícies e me escondendo toda vez que uma sombra, maldita sombra se aproxime. Quero fechar os olhos para não sentir a fome que me corrói por dentro. Você me perguntaria se quero pizza, cachorro quente ou tapioca, afinal é isso o que a maioria sai para comer em dias de hoje. Tenho fome... tenho sede... tenho ânsia de largar esse corpo, essas vestes, esses palavreados rasteiros e me recompor a alma.

Nem percebemos, mas vamos perdendo a alma. Tadinha, ela vai definhando e se transforma nisso que nós temos... Ouvir até o silêncio dói. É metal riscando vidro... Parem! Doem-me os ouvidos... Não quero saber, não quero ouvir... Melhor deixar para trás a vontade e correr atrás da incerteza. Quando puder me contorcer de alegria e riso dos risos podem mandar me chamar que volto à cena. Por enquanto, volto ao meu arrecife... como um siri de poucos amigos.

 

Hoje acordei de mau humor e nem sei porque. Talvez seja porque o feriadão acabou e logo, logo, terei que sentir necessidade de estar ocupado o tempo todo só para entrar na engrenagem da vida. E às vezes nem quero. Beijus pra vocês e ótima semana



Escrito por hardman às 18h13 [   ] [ envie esta mensagem ]





O dia de Dands... o gaiato tá envelhecendo hoje

Hoje é aniversário de Daniel, Tomripley, ou simplesmente, Dands, uma figuraça. Só me faz rir essa criatura e ainda ousa me chamar de gaiato o tempo todo. Quem tem juízo vai passar no Empório Café, no local de sempre, na feirinha de Tambaú hoje, sábado, 10, para dar um abraço nele. Pois beijo, segundo ele, já tem quem dê. kkkkkkkkk Parabéns! Parabéns! Hoje é o seu dia,  que diz mais feliz... Vale até apelar para Xuxa em dia de niver de amigos... hehehehe 



Escrito por hardman às 05h26 [   ] [ envie esta mensagem ]





Andando contra a maré

Ao contrário da maioria que invadiu as lojas nesse últimos dias para comprar chocolates (ovos e bombons) e vinhos, eu fui ao comércio comprar dois livros de Lia Luft. Não resisti aos encantas de suas palavras e lancei na bolsa Perdas e Ganhos e o último, se não me engano, Pensar é Transgredir. E pensar que dia desses estava falando sobre o mesmo assunto que ela aborda no livro: a coragem de viver diante da vida. Trouxe um trechinho dela para vocês se encantarem também. beijus

Escrito por hardman às 04h13 [   ] [ envie esta mensagem ]





Viver é um ato de coragem

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              "O silêncio nos assusta por retumbar no vazio dentro de nós. Quando nada se move nem faz barulho, notamos as frestas pelas quais nos espiam coisas incômodas e mal resolvidas, ou se enxerga outro ângulo de nós mesmos. Nos damos conta de que não somos apenas figurinhas atarantadas correndo entre casa, trabalho e bar, praia ou campo.

Existe em nós, geralmente nem percebido e nada valorizado, algo além desse que paga contas, transa, ganha dinheiro, e come, envelhece, e um dia (mas isso é só para os outros!) vai morrer. Quem é esse que afinal sou eu?Quais seus desejos e medos, seus projetos e sonhos?

No susto que essa idéia provoca, queremos ruído, ruídos. Chegamos em casa e ligamos a televisão antes de largar a bolsa ou pasta. Não é para assistir a um programa: é pela distração.

Silêncio faz pensar, remexe águas paradas, trazendo à tona sabe Deus que desconcerto nosso. Como medo de ver quem - ou o que - somos, ainda-se o defrontamento com nossa alma sem máscaras".

Lia Futf, do livro Pensar é Transgredir



Escrito por hardman às 04h08 [   ] [ envie esta mensagem ]





   

“A vida é maravilhosa, mesmo quando dolorida. Eu gostaria que na correria da época atual a gente pudesse se permitir, criar, uma pequena ilha de contemplação, de autocontemplação, de onde se pudesse ver melhor todas as coisas: com mais generosidade, mais otimismo, mais respeito, mais silêncio, mais prazer. Mais senso da própria dignidade, não importando idade, dinheiro, cor, posição, crença. Não importando nada”.  Lia Luft.

 



Escrito por hardman às 03h50 [   ] [ envie esta mensagem ]





Uns pingos de poesia pra vocês

Ficaste!?!
por Wagner Lima

Difícil de esquecer

a epiderme, a ocular

ainda guardam as provas de teus crimes

Ficaste até nesse silêncio que divido com o nada

No por enquanto,

no entretanto,

no entanto,

Ficaste ontem à noite no meu choro baixo e frouxo

Ficaste nessa saudade infinda,

ímpar,

inacabada,

impaciente,

infinita,

impotente,

inconstante

Ficaste por entre gemidos vindos dos quartos de hotéis, motéis e automóveis

Ficaste na ânsia da tinta desta caneta em te dizer que: "ficaste de fato"

E é aí que eu me lasco

Ficaste mesmo eu tendo feito até o teu funeral

Ficaste!?!

 



Escrito por hardman às 03h32 [   ] [ envie esta mensagem ]







Todo mundo tem seu dia de ostra

 

            Acordei hoje com uma vontade de não ser... Vontade de deixar pra trás quase tudo que sou, não por querer abdicar de mim, mas por querer deixar tudo, ou quase tudo, que me tornei: com travas, alavancas, parafusos e porcas. Essa necessidade é uma vontade de abrir os braços e talvez poder sentir o mundo, mais meu, mais mundo.

            E eis que o dia acordou ensolarado. É bem verdade que desbotado, mas mesmo assim, com o sol reinando. Quando ele não reina, meio que sumo e entro em meu casulo. Por necessidade de sol, às vezes, até escrevo errado, tropeço nas palavras, fico lento e não saio do lugar. É, preciso cada dia mais re-articular a ponte que me liga a tudo. Estou assim, meio assim, quase assim. Assim como uma onda que sempre rebenta em busca de novos grãos a levar ao fundo. Que arrebenta pra mostrar que o espetáculo não é o começo, mas a continuação do ir e vir. Arrebenta porque faz parte do ciclo das coisas. Me movimento por preguiça de estagnar...envelhecer e sumir na sombra feita através da fresta da porta.

            Quando a gente nasce, sonha em ser grande e até pede a “papai do céu” pra aumentar de tamanho rápido pra poder fazer o que quiser, responder a mãe, poder assistir filme no cinema com faixa etária superior a 14 anos, enfim, dizer que não é criança. Mesmo não querendo ser criança, a gente aprende a sonhar. Aliás, não vive sem o fazê-lo.

            Adulto, a gente aprende a não sonhar para não sofrer e eis meu entalo, meu sofrível pensar. O sonho é o princípio da mudança, talvez por isso, pensemos sempre em deixar pra sonhar depois de pagar as contas, bater o cartão de ponto, entregar os relatórios de trabalho, fazer todas as ligações importantes, pegar o ônibus ou o carro, chegar em casa, tirar a roupa, cair na cama e findar o dia.

            Por isso, e porque sou inconstante e não consigo viver sem sonhar e me impor o medo de arriscar no novo, diferente e inesperado, é que hoje acordei assim: triste. Acho que nas últimas semanas, últimos meses, sonhei muito abaixo da minha cota média. Ah, além de sonhar temos que lembrar que tudo tem que ser medido. Se não der, fale em média ou cerca ou ainda, aproximadamente. Eu sonho aproximadamente em viver coisas, as coisas mais difíceis que me façam esquentar o sangue, mexer com os conceitos formados e que enriqueça a alma.

            Nunca quis mudar o mundo sendo jornalista. Queria fazer diferente dos outros e sou obrigado a fazer igual não por ser o certo, mas porque acham que é o mais fácil, rápido e padrão. Puta que me pariu. A puta que existe dentro de minha mãe adormecida deve se benzer toda vez que lembro a ela isso. Mas, enfim, é a mentira inventada.

            Queria mudar o mundo por ser adulto. Posso muito pouco. Atualmente posso apenas ligar pra operadora de telefonia reclamar de cobranças irregulares, da carne mal passada no restaurante, da demora na fila do banco, no aumento dos descontos em meu contra-cheque e de tudo que a ideologia, que um dia defendi votando toda minha vida eleitoral em presidentes petistas, arrota como puro modelo de desenvolvimento. Ah, posso gritar quando uma bala de ladrão me atravessar a pele ou quando um policial tentar me subornar. Mas aí o grito tem que ser interiormente, senão ele corre também com medo. Quero sonhar que vou voltar a mudar... o mundo a partir de mim.

 


Escrito no dia 10/03/2004 às 4h19. Uma madrugada cão, daquelas em que a gente grita por dentro pra se salvar por fora.


Escrito por hardman às 03h28 [   ] [ envie esta mensagem ]





a vontade embalada pela brisa

Praia de Coqueirinho, litoral Sul da Paraíba

Quero a tranqüilidade de uma sombra debaixo de um coqueiral.

Se nao puder ter isso, que venha a brisa leve e morna mesmo

no meio da rua com buzinas de carros, gritos e empurra-empurra.

Quero o diferencial mesmo na monotonia. É a única forma que encontro

de me salvar de um suicídio coletivo: a burrice de ser igual por preguiça 

 não de diferente, mas de ser especificamente o outro.



Escrito por hardman às 02h58 [   ] [ envie esta mensagem ]





Fragmentos das diferenças

 

 

Bem Vindos ao Universo Paralelo, espaço pra nós dividirmos

 

o olhar atento e diferente sobre a vida, sobre as coisas,

 

as pessoas, enfim, esses fragmentos que nos fazemos mocinhos (a)

 

e vilões, feios e bonitos, chatos (a) e agradáveis, vivos e mortos

 

dentro do corpo. Fragmentos do que acabou e do que ainda está por vir.

 

Beijus



Escrito por hardman às 02h49 [   ] [ envie esta mensagem ]



 





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